REINTRODUÇÃO DE ANTAS

REINTRODUÇÃO DE ANTAS

A anta brasileira (Tapirus terrestris) é o maior mamífero terrestre da América do Sul e espécie-chave para o funcionamento dos ecossistemas. A anta é conhecida como “jardineira da floresta” devido à sua dieta que inclui frutas e à sua habilidade de dispersar sementes. Com seu grande porte, a anta precisa de uma quantidade elevada de alimento e percorre extensas áreas, assim, são capazes de dispersar sementes a distâncias maiores que outros frugívoros. Apesar de sua enorme importância para os ecossistemas, a anta está ameaçada de extinção, global e localmente. No estado do Rio de Janeiro, foi extinta no início do século XX.

Extinções de espécies estão entre as mais graves consequências das interferências humanas atuais no planeta. A perda de populações animais pode levar à diminuição da polinização e da dispersão de sementes, e ao aumento dos níveis tróficos intermediários. Uma das poucas soluções efetivas para mitigar os problemas causados pelas extinções locais é a reintrodução de populações, processo pelo qual é possível restabelecer populações viáveis a partir da translocação de indivíduos de vida livre ou de cativeiro. Assim, um dos maiores desafios ambientais do século 21 consiste em restabelecer ecossistemas com espécies animais chaves, principalmente mamíferos de médio e grande porte. Reintrodução de animais com essas características demandam muito tempo, envolve muitos custos e historicamente a taxa de sucesso das iniciativas não são altas. 

Diante desse quadro, o Instituto Federal do Rio de Janeiro, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, com o apoio do Zoológico do Rio de Janeiro, desenvolvem o Projeto Refauna – Reintrodução de Fauna e Restabelecimento de Interações Ecológicas na Mata Atlântica. O Projeto Refauna tem a missão de interligar agentes conservacionistas, órgãos ambientais, zoológicos e outros parceiros, de modo a desenvolver projetos de reintrodução de espécies nativas localmente extintas e restabelecer as interações ecológicas perdidas. Nesse escopo, temos o objetivo geral de restabelecer uma população de anta (Tapirus terrestris) no estado do Rio de Janeiro. Com a reintrodução das antas, nós esperamos restabelecer também as interações ecológicas que essa espécie-chave desempenhava.

O RioZoo apoia o desenvolvimento do Projeto Refauna, por exemplo a partir da reprodução dos animais no zoológico que são reintroduzidos, além disso participam com os cuidados veterinários, quarentena dos animais, bolsa de pesquisa, equipamentos, entre outras coisas. O envolvimento de instituições como o RioZoo, é fundamental no andamento de projetos de conservação integrada.

O projeto de reintrodução de antas na Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA), Cachoeiras de Macacu, foi iniciado em 2013 e a primeira soltura ocorreu em 2017. As antas são provenientes de diferentes criadouros, como o RioZoo que forneceu a Magali e o Jorge, e são reintroduzidas através da técnica de soltura branda, de modo a permitir os animais a se aclimatarem ao novo ambiente de forma gradual, primeiro em um cercado de aclimatação. Antes do transporte, cada animal recebe um colar de VHF-GPS telemetria, um microchip e dois brincos coloridos, que permitirão esses animais serem monitorados após a soltura.

Até o momento, temos nove antas de volta às matas do Rio de Janeiro. Esses animais já estão realizando seu papel na natureza, comendo as plantas, dispersando as sementes e favorecendo os besouros. As sementes que passaram pelo trato digestivo das antas passam a germinar protegidas pelas fezes das antas. E os besouros utilizam as fezes das antas para sua alimentação e a de seus filhotes. Nossa meta é ter uma população de 50 antas, entre animais reintroduzidos e nascidos na natureza, que exercerão plenamente seus papéis ecológicos.

  • PROJETO REFAUNA. EQUIPE: 
  • LABORATÓRIO DE ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO DE POPULAÇÕES (LECP) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – Fernando A. S. Fernandez, Marcelo L. Rheingantz, Bruno Cid, Caio Kenup, Catharina Kreisher, Luísa Genes, Tomaz Cezimbra, Pedro Uchoa, Raíssa Sepulvida, Anna Landim, Carolina Starling, Louise Daudt, Cesar Britto, Giuliana Caldeira Pires Ferrari, Caroline Heringer, Lara Norberto, Paula Viana, Bernardo Araujo e Leandro Macedo.
  • LABORATÓRIO DE ESTUDO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS (LECF) Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) – Alexandra Pires Fernandez, Pollyanna Rodrigues e Rafaela Pacheco.
  • LABORATÓRIO DE ECOLOGIA E MANEJO DE ANIMAIS SILVESTRES (LEMAS) Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) – Maron Galliez, Lucas Burity, André Monteiro, Rodrigo Araujo, Leonardo Aguiar, Mariana Tavares e Natália Barros.

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